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sábado, 23 de maio de 2015

Embarcação

texto de: José Maria Souza Costa.

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Abrem-se as comportas de um mar imenso
E nele derrama-se, os filhos das invasões.
Céus como Pátria de um futuro incerto tenso
Abraçando agonizados elos de perturbações.
Clamai ao vosso Deus, ó infelizes aventureiros
Na tua luta fuga, enamorados por bombardeios.

Clama os mares, engolido por gritos de horrores
E baila a desgraçada sorte, junto a ira da exclusão.
Os mesmos povos, que em risos lhes oferta flores
Bombardeou a tua casa, com a canção da expulsão.
O míssil derretido como bombas em guerra de asilos
São rosas agonizantes em  afogamentos sem avisos.

Águas, desaguadas lágrimas, não só do rosto negro.
De raças tantas, que à deriva agita a barcaça da ilusão.
Boia nas águas o rosto roto exposto do homem íntegro
E decapita-se mãos do herdeiro gema da cor diamante
Uns vão e outros boiam-se nas praias que segue adiante
E os mares bravios continuarão sendo terras de retirantes.

Diamantes de sangue, vala'guda, para o caminho da morte
Em mar e terra, a garganta tem o mesmo sal do amargar.
A quem interessa, uma nau perdida bocejante em alto mar,
Com nacos humanos femininos e crianças à esfarrapar-se ?
As flores perfuradas, ao som de balas em águas de sentinelas
São as mesmas proibidas em perfumar, salas em primaveras.

Brada  a Régia Europeia : - ' Eu não te quero aqui,
Não tens ouro, nem diamantes, nem a mão para servir.
Não tens Letras, e nem Artes, e nem sabes se vestir.
Tens a boca desdentadas, que nos assusta, ao sorrir.
Fazes dos mares tua mágica, por que nunca leste Kafka ?
Tens ainda o que nos dar, essa desgraçada África ? '



sexta-feira, 15 de maio de 2015

Palavras de Poesia.

poema de: Lucas Montenegro.

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Se um amigo pede que escreva sobre amizade
É porque quer lhe testar como poeta, saiba
Porque amizade não se tange bem ao verbo
E não há bom verso cuja grandeza lhe caiba

Como versificar o cotidiano das risadas
E o mútuo aperto de mãos e corações ?
Ninguém conta as lágrimas aparadas
Assim como ninguém de bem mede os verões.

Alegras-me a vista mesmo antes de virar a esquina
E eu sei que me tens como os lábios ao mel
Mas alguma dessas coisas se aproxima da amizade ?
Ou fizeste-me tu um pedido um tanto cruel...

Pois se um amigo pede que escrevas sobre amizade
É um pedido muito interessante, mas veja...
É como começar a quantificar a eternidade
Pois amizade se explica ? Talvez ela só seja...

domingo, 10 de maio de 2015

Um Pedaço do Tempo, Quase Amassado

texto de: José Maria Souza Costa.

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Emprestem-me, um lápis para compor poemas
E enviar, à minha mãe, que dormiu e não  acordou.
Não precisa de rimas e  métricas nos morfemas
Basta ter as melodias, das canções que ela cantou.

Emprestem-me, um pedaço de papel, mesmo amassado
Quero redigir missivas kant, com o desalento do passado.

Emprestem-me, um pedaço do seu tempo e da sua vontade
Eu preciso escrever à minha mãe e recordar a sua bondade:
Sempre a  protetora deslumbrante, protegia-me, desenvolta
E sinto uma ausência eterna dessas que não tem mais volta.

Eu preciso encontrar a minha mãe: não sei se dormiu ou viajou
Trago no rosto marcas de um tempo, de uma alma, que chorou.

Emprestem-me, nacos do seu olhar, ainda que seja o derradeiro
Pra clarear minhas pegadas derramadas por trilhas aventureiras
Sou saudade por inteiro de mamãe, mesmo postado ao Madeiro
Contemplo um Cristo engembrado, que por nós, morreu primeiro

A distância, a viagem sem volta, a lágrima derramada, a ida
A palavra desprovida: perdi  minha mãe, abriu-se uma ferida.



sexta-feira, 1 de maio de 2015

A Travessia.

texto de: José Maria Souza Costa.

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Corpos despejados e afogados no Mediterrâneo
Na travessia torturante, em naus de aventureiros.
Clama a África e Mohammed, e tais conterrâneo
Abraçam-se, como outrora, nos navios negreiros.

Barcaças de madeiras apodrecidas, única esperança
De um novo raiar de luz, em terras do velho continente.
Engolidos por mares em agonia, morrem na lambança
E são arrevesados em praias desertas, drasticamente.

Crianças tangidas pela fome, e adultos na guerra bruta,
Tem no contrabandista, a certeza, de seguras  travessia.
Não tem outra alternativa, nem pista, abraçando sua luta
E resmungam esmagados nos translados  da hipocrisia.

Geme as águas e os corpos, descartados no transporte
De pessoas, deslizando em correnteza do mar sem fim.
Choram almas atracadas nos porões da pena de morte,
E o mar, derrete sonhos alimentados por coiotes, assim !