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sábado, 29 de novembro de 2014

Manuê.

Texto de: José Maria Souza Costa.



Deuses dos sabores, lambuzados por  mil cores
Cortados em postas fio, guardados em 'mbelezê
Com café, com leite, sem os perfumes do dendê
Milho ralado, açúcar leite de coco, aromas de manuê.

Fogão de lenha assando colores e tanto zelo
Coco ralado, e a calda,  em tiras de caramelo
Raspas de fôrma funil, mesclado a cor amarelo
Aromatizando farelos em festim de tom marmelo

Na roça: milho ralados, remexidos e esfarelados
Açúcar, leite de coco canela, tudo junto misturados
E a mão santa das sinhás, manuseando "pra' ssar."

Aromas de manhãs sombrias, e risos de mamaês
Crianças regendo a mesa, sonhando dançar no Ilê,
E um pedaço p'ra  "comê " d'um " nacu" de manuê.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

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de: Suzana Costa.


Magnata em Dubai
Mãe África sem pai

Ouro em pó almoçando
Mãe África chorando

A sobremesa do milionário é um diamante africano polvilhado em um sushi(!)

O luxo da mãe África é ver dia a dia cada um de seus filhos deixar de existir()  

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Contra Maré.

texto de: Samara Volpony



na ordenação das águas
me exponho
qual Narciso a se mirar e se amar
à exaustão
miro-me no espelho esculpido
à tua imagem
nas turvas águas:
nossa ordenação

ah, este rio encravado em meu peito
ai, este rio vazando em meus olhos
a desaguar

no cais das nossas esperas
qual palavra haverá de enganar o tempo?
que palavra tua não se perderá?
quais palavras vãs haveremos de cantar?

   

sábado, 8 de novembro de 2014

Memórias da Velha Infância.

texto de : José Maria Souza Costa.



O rostral do lugarejo, é um painel na memória da minha velha infância.
Traz à minha alma, as efígies do velho cais, enamorados em maresias
E as casas em corredores curvilíneos, a pasmar-se desejo e ganância
Como esparramando relumbramento em noites mágicas de  fantasias.

Na minha velha infância, traceja  a memória navegada em argumentos
Parede de pau a pique a lardear quintais silenciados por velhos becos.
E aromas de piqui maduros, perfumando pomares, a invejar batimentos
Cardíacos à luz de vela, regidos na palma da mão em teatro de bonecos

Cadeiras de balanço e  môxos, enfeitados em calçadas com barbantes.
E a contemplação de pernas cruzadas, que fogem das saias e marcam
Batimentos retumbantes de olhares curiosos em desejos nus, ofegantes

A minha velha infância, perpetua-se no rostral d'uma cidade postada nela
Seduz-me, as sombras dos manguezais, exposta em vicinais da Trizidela.
Lá, o bardo vate não faz-se rogado, boiante à meio tela penejas à cautela.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Abismo

de:Suzana Costa


Olho para um degrau que piso
E o mundo inteiro é uma escadaria
Não quero nada !
Tudo é uma alegoria proscrita
Um devaneio androjeno
Uma barricada de embuste
Tanto que me deixei levar por este tempo fétido!
Tempo desolado e nu
Tempo feito de estrume e lorota
Bebo cicuta todos os dias!
Só para não ouvir o ganido dos arrogantes!
Estou entalada de uma falta pão
Estou entulhada de tudo !
Menos do autruismo
Tudo é uma farsa terrível
Um tonel das danaides
Um companheirismo sonso
Nada me põe de pé!
Sou inválido para esta crença demente que pariu o consumo

Boa romaria?
Boa romaria?
Que boa romaria?

Não faz boa romaria que caminha em direção à carnificina.