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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Teu dedo.

de: Taíse Garros



Teu dedo
Em meu dedo
Enlaçando um nó
Sugada pelo ósculo selvagem
Tragando o hálito da alma calma.
Um doce
E, depois repousa no peito. Não durmas.
Morras de amor
Amor fusco,
Serás tu o culpado de minha culpa ?


sábado, 25 de outubro de 2014

Para a garota desconhecida.

de: Lucas Montenegro.



Uma mancha nas suas rosas
Liberdade em minhas mãos
Pressa nos meus passos.
Saudade há... de quê, não sei.

Escorrem estrelas por meus braços
Um futuro tranquilo em minhas veias
O cipreste verga ao vento escasso
Dois amantes... diamantes de areia

À cor de seus olhos desconhecidos
Os meus se fechariam tranquilos
Sobre teu leito e sobre teu peito
Sob teu sexo, emaranhado em teu plexo

Eis o tempo; te soprou da lembrança
Pintei de azul-verdade esses nossos dias.
Só tua sombra seguiu minha andança
Colori teus passos com pó de poesias

Vivo tentando encurtar as horas
Para que chegue a noite que te trará
Num trem longo, numa nuvem, numa rua

E com um maço de versos brancos
Te conquistarei sem simetria
Pois a mão que tenho, busca a que é tua

E num dia que a nada anterior remeterá
Sentados veremos o sol alongar-se
Deitaremos sobre o silêncio de tudo que se diz
Ouvindo o trem que já vai embora, meu bem
Infinito como um dia feliz.

sábado, 11 de outubro de 2014

Varais de Palavras.

texto de: José Maria Costa.



Se reconhecermos  a tua voz,
Farei da fibra som, esse gabo cru
Deixo luzir na pele um riso veloz
E namorar a sutileza do teu corpo nu.

Se envolver-me sem fazer escândalo,
E agarra-me como quem a mim, consome.
Deixarei jorrar mim, parte do meu sândalo
E saberei que gozas, das letras de um nome.

Rasgarei o véu e esconderei os trajes
Não negarei a você, uma birita amarga
Beijarei a sua boca sem fazer estrago
Lambuzo-me todo, mesmo não sendo amado.

Se pelo tom reconhecemos a voz,
É pelo aroma que singro no cio.
Talvez queira deixar-me mais louco
Em galanteios de regozijo a pouco.

Que a cama não seja um varal do medo
E os lençóis remexam pornôs em torres.
E que em seus anseios derramem ledo
Em uma boca, ciosa por noites de porres.


sábado, 4 de outubro de 2014

Avenida Arari.

texto de: José Maria Souza Costa.


Se for pra confessar, a plenitude da cidade, a olho nu,
Terei que cortá-la, com os meus passos de norte a sul
E transpassar o Nema: águas de igarapés turvas barrentas,

Do lado de lá: a Trizidela, e o perfume dos manguezais
Espalhados à beira pistas, por estradas vicinais.
Aningas pra fazer: jangadas e flutuar.
Ouvi o cantos das lavadeiras em tábuas de lavar.
Veleiros que outrora namoravam o Mearim
Hoje deixam saudades, em odes de triste fim.

Do lado de cá: tem tambor de crioula pra dançar,
A mulata ergue a beira da saia, e num pé só
A noite inteira põe-se a rodar.
Paço, Igrejas, terreiros de candomblé
Tudo belo tudo bonito, e a gente transa, aqui.
Vou plantar o meu coração no Recanto Florido
Sob sombras de amendoeiras, ao som de colibris.

Vou fazer da Rua da Beira, uma Escola de Samba
E desfilar nu, por uma Avenida, chamada Arari.
Depois da pororoca, tem maré cheia.
Em noites de lua cheia, o rio brilha, e regorjeia.

Vou degustar piaba assada no teu cais, regido à Nhen,
Onde atea-se o bango, para flertar, e ficar no maior zen.
Rezar nos festivais de Setembro, perdoar junho, que tudo tem.
Só sei que não vai, quem já partiu, ou vai parir
E não vai desfilar pela minha Escola de Samba.
Em uma Avenida, chamada Arari.