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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A - mar

* texto do: Lucas Montenegro.


Tão velha senhora és
Grave como todos os sábios
Beija-me primeiro os pés
Com teus salgados e ferozes lábios.

Se quando jovem lhe faltei em respeito
Peço perdão ao arroubo de juventude
Pois quem conhece o mistério de teu leito ?
Se tu da vida é berço e ataúde ?

Ao olhar o horizonte que esculpes
Vejo-te a dividir o infinito com o céu
E se de ti guardo ainda temor, desculpe
Mas teu tridente pode-me rasgar o  véu.

Ó mar ! suave e terrível mistério manifestas
E fiel ao que desconheço, sigo, pois, tua dança
Pois sob a bênção que sem pudor emprestas
Não há homem nesse mundo que não se torne criança


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* Lucas Montenegro - é estudante de Psicologia, UFRJ


    

sábado, 13 de setembro de 2014

Divagando

texto do: Cleilson Fernandes.



Eu não quero rima
Ética ou métricas
Eu quero é rumos
Prumo com estética
Não quero as regras
Ao alvo eu sou seta
Quero carpe-diem
Viver minha época

Não quero aquele
E tampouco aquilo
Quero ares, puro ar
Para meu bem-estar
Não busco pressentir
Nem louvo ver apenas
Quero tocar naquilo
E por inteiro sentir

Não, não quero muito
E nem pouco demais
Quero mesmo a razão
De qualquer vil louco
E fugir do que é óbvio
E ao opróbrio jamais
Eu quero sim emoção
Isso e um pouco mais
Perdi-me, eu confesso
Em tantos quereres
Em muitas volúpias
Alguns desprazeres
Mas, no arco-íris além
Do próprio universo
E dos sonhos roubados
Eu me reencontrarei.

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**  Cleilson Fernandes, é membro da Academia de Letras, na Cidade de Arari/ma. ( Brazil ).

sábado, 6 de setembro de 2014

Eixos de Olvidar.

texto de: José Maria Souza Costa.



Lágrimas despejadas, amargas, em desobrigas de ir embora.
E já não basta terços, rezas e patuás, que outrora consolava
Em rodas de ritos, a cólera maldita, assobiante com o ebola
Agride a terna Mãe África, e desesperada, pelos filhos, chora.

Canções de frágua, e a assustada prenoção do Ocidente.
Mamas expostas, em translado ridicularizadas sem legado.
Pessoas que sorriem e aplaudem a matança dessa gente
Em resort beira mar, a contemplar um sol nascente ao lado.

África desdentada, vermelho, mãos cálidas coração transfigurado.
Espalha-se por oceanos de diamantes, que não reluzem, a pedir
Que na manhã do sol, brote a esperança, para seguir cantando
Como quem pede em oração cotidiano, um fim que não se faz vir.

Clamai! Mãe dos povos negros, injustiçados e ensanguentados,
Vítimas do tráficos negreiro, há de morrer, em apodrecidos paus
Atravessando mares de uma esperança, em cais desgovernados
O sonho, é um horizonte em miragem, desafiado em frágeis naus.
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