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sábado, 13 de dezembro de 2014

O Céu da Rua da Bêra.

de: José Maria Souza Costa.



O céu da rua da bêra, desce a ladeira
E beija o rio Mearim, à luz de lamparina.
Deita chão adentro a nuvem derradeira
Transformando tudo em água cristalina.

No céu da rua da bêra, risca-se constelações
Cruzeiro do Sul, Ursa Maior e as Três Marias
Desfilam alinhadas reluzentes entre as visões
Esparramando luzes e risos com monografias

No céu da rua da bêra, o perfume de roseira
Enamora cor sobre cor, em bicos de beija flor.
Desce a ladeira derradeira, rumo à ribanceira
Ciliares, com eternas canções de um protetor.

O céu da rua da bêra, desce a ladeira só,
E contempla Tó, abre asas nos Voadores
E saúda o Batalha, que primeiro te cantou.
E explode no Pátio, em dribles de quem jogou.
      

domingo, 7 de dezembro de 2014

Canoeiro

de: José Maria Souza Costa.




O Canoeiro singra o rio, com a sua canoa
Em águas escuras, o som do remo remador
De um lado as barrancas ciliares numa boa
Deblando socorro, ante o tio vil do agressor.

O Canoeiro singra o rio, com a sua canoa
E aflige-se,  com as cores do mercúrio.
Derrama olhar de solidão, e quase à toa
Chora solitário, em silêncio de murmúrio.

Aningais e ingaizeiras, agonizando ante facão
Peixes mortos expostos abraçados à poluição.
Gargalhadas , por um progresso de destruição
E o Canoeiro singra rio, em mar de compaixão.

Barrancas desvirginadas, pelo talho do aço frio,
Espalhados em saudades  frutos das beira rios,
Sombreiros de pé de ingá na imagem desse trio
Homem, remo e canoa, cantam os teus desafios.



sábado, 29 de novembro de 2014

Manuê.

Texto de: José Maria Souza Costa.



Deuses dos sabores, lambuzados por  mil cores
Cortados em postas fio, guardados em 'mbelezê
Com café, com leite, sem os perfumes do dendê
Milho ralado, açúcar leite de coco, aromas de manuê.

Fogão de lenha assando colores e tanto zelo
Coco ralado, e a calda,  em tiras de caramelo
Raspas de fôrma funil, mesclado a cor amarelo
Aromatizando farelos em festim de tom marmelo

Na roça: milho ralados, remexidos e esfarelados
Açúcar, leite de coco canela, tudo junto misturados
E a mão santa das sinhás, manuseando "pra' ssar."

Aromas de manhãs sombrias, e risos de mamaês
Crianças regendo a mesa, sonhando dançar no Ilê,
E um pedaço p'ra  "comê " d'um " nacu" de manuê.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Menu

de: Suzana Costa.


Magnata em Dubai
Mãe África sem pai

Ouro em pó almoçando
Mãe África chorando

A sobremesa do milionário é um diamante africano polvilhado em um sushi(!)

O luxo da mãe África é ver dia a dia cada um de seus filhos deixar de existir()  

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Contra Maré.

texto de: Samara Volpony



na ordenação das águas
me exponho
qual Narciso a se mirar e se amar
à exaustão
miro-me no espelho esculpido
à tua imagem
nas turvas águas:
nossa ordenação

ah, este rio encravado em meu peito
ai, este rio vazando em meus olhos
a desaguar

no cais das nossas esperas
qual palavra haverá de enganar o tempo?
que palavra tua não se perderá?
quais palavras vãs haveremos de cantar?

   

sábado, 8 de novembro de 2014

Memórias da Velha Infância.

texto de : José Maria Souza Costa.



O rostral do lugarejo, é um painel na memória da minha velha infância.
Traz à minha alma, as efígies do velho cais, enamorados em maresias
E as casas em corredores curvilíneos, a pasmar-se desejo e ganância
Como esparramando relumbramento em noites mágicas de  fantasias.

Na minha velha infância, traceja  a memória navegada em argumentos
Parede de pau a pique a lardear quintais silenciados por velhos becos.
E aromas de piqui maduros, perfumando pomares, a invejar batimentos
Cardíacos à luz de vela, regidos na palma da mão em teatro de bonecos

Cadeiras de balanço e  môxos, enfeitados em calçadas com barbantes.
E a contemplação de pernas cruzadas, que fogem das saias e marcam
Batimentos retumbantes de olhares curiosos em desejos nus, ofegantes

A minha velha infância, perpetua-se no rostral d'uma cidade postada nela
Seduz-me, as sombras dos manguezais, exposta em vicinais da Trizidela.
Lá, o bardo vate não faz-se rogado, boiante à meio tela penejas à cautela.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Abismo

de:Suzana Costa


Olho para um degrau que piso
E o mundo inteiro é uma escadaria
Não quero nada !
Tudo é uma alegoria proscrita
Um devaneio androjeno
Uma barricada de embuste
Tanto que me deixei levar por este tempo fétido!
Tempo desolado e nu
Tempo feito de estrume e lorota
Bebo cicuta todos os dias!
Só para não ouvir o ganido dos arrogantes!
Estou entalada de uma falta pão
Estou entulhada de tudo !
Menos do autruismo
Tudo é uma farsa terrível
Um tonel das danaides
Um companheirismo sonso
Nada me põe de pé!
Sou inválido para esta crença demente que pariu o consumo

Boa romaria?
Boa romaria?
Que boa romaria?

Não faz boa romaria que caminha em direção à carnificina.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Teu dedo.

de: Taíse Garros



Teu dedo
Em meu dedo
Enlaçando um nó
Sugada pelo ósculo selvagem
Tragando o hálito da alma calma.
Um doce
E, depois repousa no peito. Não durmas.
Morras de amor
Amor fusco,
Serás tu o culpado de minha culpa ?


sábado, 25 de outubro de 2014

Para a garota desconhecida.

de: Lucas Montenegro.



Uma mancha nas suas rosas
Liberdade em minhas mãos
Pressa nos meus passos.
Saudade há... de quê, não sei.

Escorrem estrelas por meus braços
Um futuro tranquilo em minhas veias
O cipreste verga ao vento escasso
Dois amantes... diamantes de areia

À cor de seus olhos desconhecidos
Os meus se fechariam tranquilos
Sobre teu leito e sobre teu peito
Sob teu sexo, emaranhado em teu plexo

Eis o tempo; te soprou da lembrança
Pintei de azul-verdade esses nossos dias.
Só tua sombra seguiu minha andança
Colori teus passos com pó de poesias

Vivo tentando encurtar as horas
Para que chegue a noite que te trará
Num trem longo, numa nuvem, numa rua

E com um maço de versos brancos
Te conquistarei sem simetria
Pois a mão que tenho, busca a que é tua

E num dia que a nada anterior remeterá
Sentados veremos o sol alongar-se
Deitaremos sobre o silêncio de tudo que se diz
Ouvindo o trem que já vai embora, meu bem
Infinito como um dia feliz.

sábado, 11 de outubro de 2014

Varais de Palavras.

texto de: José Maria Costa.



Se reconhecermos  a tua voz,
Farei da fibra som, esse gabo cru
Deixo luzir na pele um riso veloz
E namorar a sutileza do teu corpo nu.

Se envolver-me sem fazer escândalo,
E agarra-me como quem a mim, consome.
Deixarei jorrar mim, parte do meu sândalo
E saberei que gozas, das letras de um nome.

Rasgarei o véu e esconderei os trajes
Não negarei a você, uma birita amarga
Beijarei a sua boca sem fazer estrago
Lambuzo-me todo, mesmo não sendo amado.

Se pelo tom reconhecemos a voz,
É pelo aroma que singro no cio.
Talvez queira deixar-me mais louco
Em galanteios de regozijo a pouco.

Que a cama não seja um varal do medo
E os lençóis remexam pornôs em torres.
E que em seus anseios derramem ledo
Em uma boca, ciosa por noites de porres.


sábado, 4 de outubro de 2014

Avenida Arari.

texto de: José Maria Souza Costa.


Se for pra confessar, a plenitude da cidade, a olho nu,
Terei que cortá-la, com os meus passos de norte a sul
E transpassar o Nema: águas de igarapés turvas barrentas,

Do lado de lá: a Trizidela, e o perfume dos manguezais
Espalhados à beira pistas, por estradas vicinais.
Aningas pra fazer: jangadas e flutuar.
Ouvi o cantos das lavadeiras em tábuas de lavar.
Veleiros que outrora namoravam o Mearim
Hoje deixam saudades, em odes de triste fim.

Do lado de cá: tem tambor de crioula pra dançar,
A mulata ergue a beira da saia, e num pé só
A noite inteira põe-se a rodar.
Paço, Igrejas, terreiros de candomblé
Tudo belo tudo bonito, e a gente transa, aqui.
Vou plantar o meu coração no Recanto Florido
Sob sombras de amendoeiras, ao som de colibris.

Vou fazer da Rua da Beira, uma Escola de Samba
E desfilar nu, por uma Avenida, chamada Arari.
Depois da pororoca, tem maré cheia.
Em noites de lua cheia, o rio brilha, e regorjeia.

Vou degustar piaba assada no teu cais, regido à Nhen,
Onde atea-se o bango, para flertar, e ficar no maior zen.
Rezar nos festivais de Setembro, perdoar junho, que tudo tem.
Só sei que não vai, quem já partiu, ou vai parir
E não vai desfilar pela minha Escola de Samba.
Em uma Avenida, chamada Arari.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A - mar

* texto do: Lucas Montenegro.


Tão velha senhora és
Grave como todos os sábios
Beija-me primeiro os pés
Com teus salgados e ferozes lábios.

Se quando jovem lhe faltei em respeito
Peço perdão ao arroubo de juventude
Pois quem conhece o mistério de teu leito ?
Se tu da vida é berço e ataúde ?

Ao olhar o horizonte que esculpes
Vejo-te a dividir o infinito com o céu
E se de ti guardo ainda temor, desculpe
Mas teu tridente pode-me rasgar o  véu.

Ó mar ! suave e terrível mistério manifestas
E fiel ao que desconheço, sigo, pois, tua dança
Pois sob a bênção que sem pudor emprestas
Não há homem nesse mundo que não se torne criança


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* Lucas Montenegro - é estudante de Psicologia, UFRJ


    

sábado, 13 de setembro de 2014

Divagando

texto do: Cleilson Fernandes.



Eu não quero rima
Ética ou métricas
Eu quero é rumos
Prumo com estética
Não quero as regras
Ao alvo eu sou seta
Quero carpe-diem
Viver minha época

Não quero aquele
E tampouco aquilo
Quero ares, puro ar
Para meu bem-estar
Não busco pressentir
Nem louvo ver apenas
Quero tocar naquilo
E por inteiro sentir

Não, não quero muito
E nem pouco demais
Quero mesmo a razão
De qualquer vil louco
E fugir do que é óbvio
E ao opróbrio jamais
Eu quero sim emoção
Isso e um pouco mais
Perdi-me, eu confesso
Em tantos quereres
Em muitas volúpias
Alguns desprazeres
Mas, no arco-íris além
Do próprio universo
E dos sonhos roubados
Eu me reencontrarei.

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**  Cleilson Fernandes, é membro da Academia de Letras, na Cidade de Arari/ma. ( Brazil ).

sábado, 6 de setembro de 2014

Eixos de Olvidar.

texto de: José Maria Souza Costa.



Lágrimas despejadas, amargas, em desobrigas de ir embora.
E já não basta terços, rezas e patuás, que outrora consolava
Em rodas de ritos, a cólera maldita, assobiante com o ebola
Agride a terna Mãe África, e desesperada, pelos filhos, chora.

Canções de frágua, e a assustada prenoção do Ocidente.
Mamas expostas, em translado ridicularizadas sem legado.
Pessoas que sorriem e aplaudem a matança dessa gente
Em resort beira mar, a contemplar um sol nascente ao lado.

África desdentada, vermelho, mãos cálidas coração transfigurado.
Espalha-se por oceanos de diamantes, que não reluzem, a pedir
Que na manhã do sol, brote a esperança, para seguir cantando
Como quem pede em oração cotidiano, um fim que não se faz vir.

Clamai! Mãe dos povos negros, injustiçados e ensanguentados,
Vítimas do tráficos negreiro, há de morrer, em apodrecidos paus
Atravessando mares de uma esperança, em cais desgovernados
O sonho, é um horizonte em miragem, desafiado em frágeis naus.
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sábado, 30 de agosto de 2014

Tartufo

texto de: José Maria Souza Costa.




Aponta-me o dedo da acusação
Como se fosse honrado de amor.
Esqueceste na luta da agressão
Que da coitada, és o opressor.

Fingidio, saúda a noite e o dia,
Reza aos prantos, uma Ave Maria
Celebra a vida, à sabor de vinhos
E escolhe as rimas com sabedoria.

Veste-se de noivo, e bailando em valsa
Finge a calma tenra de um professor.
Sabe q'entre olhares, quase tudo passa
E se tudo passa, cria-se transgressor.

Entre risos, palmas e aparências, brota um agressor.
Entre argumentos e fingimentos, esconde-se o fingidor.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Flamboyant Amarelo

de:  Lucas Montenegro.



Me peguei sentado no meu quarto
Nada fazia, sozinho lá estava
E lembrando bem do momento
Talvez nem mesmo nada pensava

Então, olhei pela janela fechada
- a persiana estava, porém, aberta-
E lá fora, no sol de inverno
A tarde pareceu uma descoberta

Fiquei admirando a torre de para-raios
Que brota do teto de um galpão
E como bem lá no alto dela
Sem temer fez pouso o gavião

Vi mais atrás um flamboyant amarelo
Que não conseguia ver antes
Havia uma arvore que foi cortada
E seu fim me deu visão interessante

Olho como o vento brinca em seus galhos
E tira para dançar suas flores
Imagine a delícia de sua penumbra
E o úmido da terra abaixo em cores

Já valeu minha tarde sonolenta
E para ser ainda mais sincero
Já valeu ter nascido só pra ver
O vento no flamboyant amarelo


.......................................................
**  Lucas Montenegro, é autor do blogue:
http://palavraaovivo.blogspot.com
Carioca, Músico e Estudante de Psicologia - UFRJ


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Pegadas Desalinhadas.

texto de: José Maria Souza Costa.




O Pai, acorrentou o filho pela perna, junto à uma cadeira, para que, este, não envolvesse-se, com delinquentes. Os vizinhos, o denunciou à Polícia. Esta veio, e frente à todos, algemou-o, colocando-o, em um camburão. Todos aplaudiram, o menino estava livre. E o Pai, acusado de crime de tortura.
Meses depois. O menino, capturado com outros delinquentes, foi jogado ao chão, de bruços, e algemado pela Polícia, foi conduzido ao Distrito Policial. Os vizinhos todos, aplaudiram a ação da Polícia.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Imutar

texto de: José Maria Souza Costa.




Amigos, há no palheiro.
Procura-se.
Na esquina do riso, Aplausos.
Busque.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Quase Decepção.

de: José Maria Souza Costa.




Toda nascente, despeja, as águas do rio, na direção do Mar.
Ainda que embaladas, pelo fenômeno Maré. Essas águas retornarão jamais, à nascente de origem.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Atitude

de: José Maria Souza Costa.




Se da Bilha, o Vinho derramar-se,
Busque um Outro.
Ainda que, seja com aroma e sabor a Escolher.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Outonos.

texto de: José Maria Souza Costa.



 Emprestei-te, um naco de dor
                                                  e derramada,

                                                               mancharam os teus lençóis.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O Futebol.

texto de: José Maria Souza Costa.



O futebol, magia de balé de pernas,  por técnicas, de simetria aguda.
Diversão de alma, estádios, olhos admirados,  ansiedade para vê gol
Cantar, com suas bandeirolas a tremular, no palco retangular d'ajuda
E derramar suor, e malemolência da camisa nove não ser homem gol

Ansiedade, se o homem do apito, escolhe a falta inventada, por litígio,
Interesses por conflitos, que vaza o olhar do outro, na leitura que agride.
Idealizar prestígios, brotar o vestígio itinerante, como a criança prodígio,
Que dribla em zigue-zague, saudando pontapés, que a regra  transgride.

Vaiar o perna de pau, é enaltecer o mambembe, e fazê-lo sorrir também.
É mostrar,  que a bola como namorada, afaga as pernas, como ninguém.
E assim, o futebol insere-se cidadania, e a bolha lhes faz de zé-ninguém.

Pelada, jogada, rolinho, e risos: é a linguagem muda, na visão do artista.
Em uma gramática de linguística fiel há um ambiente, de lutas e disputas,
Sem elitistas, tal ilusionistas em painéis que imortalizarão os desportistas.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Saudade.

texto de: José Maria Souza Costa.



Olhar e imaginação, em comunhão com as fotografias de um tempo:
Prelúdios, cintilam idílicos germinantes, atrelado à condescendência
De imagens, que permanecerão no cérebro, ainda  em passatempo
De recordações, eternizando alegrias em momentos de adolescência.

Na observação da janela de busca: os meus brinquedos infantojuvenis
Pendurados na parede da memória, a contemplar as nossas saudades.
Perspirandos viés por luas, e os braços abertos por deslumbro infantis
Por que amanhã, será pátulos de ideias, fortalecidas nas adversidades.

Recordo dos laranjais entre manguezais, pendurados à orla dos quintais
Da vizinhança, a exalar aromas de tentação, entre as narinas de meninos
Pequeninos, encantados com gaiolas, seduzindo em silvo os passarinhos.

Saudades do lúdico, devaneio da boca de noite, derramando assombração
Em paisagens de pasmo, esparramando em sonhos, os olhares de crianças.
O momento mágico, de uma saudade, é quando o olhar atravessa a lágrima.



sábado, 21 de junho de 2014

Margem de Versos.


texto de: José Maria Souza Costa.



Chega-me, com as dores em emboscada, pelo corpo, cansaço.
As pernas, já não escoltam-me, ao circo da aproximação, tolice.
Assim o tempo omite, tudo arvora da minha companhia, inchaço
De pernas e olhares paralisante, herdeiros que choram à velhice.

Amiga, companheira d' eterna em rastro, margem de versos, que fala,
Cabelos ao vento, como se a canção fosse de espera, é de abandono
A ciranda de olhares e cochichos, escorada no deslumbro da bengala,
Que hoje abraça-me em apoio, quando arrasto-me, em busca do sono.

Um banquinho, para relaxar, das rugas que a vida, expôs ao meu rosto.
Nas lembranças do meu ontem, a paciência de poder chegar, em sigilo
Até aqui, e fugir das garras ferinas torturantes, de um doce e neo asilo.

Olhar cansado, membros atrofiados, trabalhos pesados, e o desamparo.
A pele negra, a noite infinda, gemidos, necessidades, tudo à contramão.
Sombras e velhice, a mesmice, o chão desfeito, medo de morrer em vão.

sábado, 14 de junho de 2014

Treita


texto de: José Maria Souza Costa.




Não tenho nada, além do sol, e reminiscências
Já nem sei, se o pensamento, é um ente livre,
E nem imagino noites como elo para diversões.

As digitais da fímbria, não escorregam, seguram
Emoções em rostos, para alguns, é convergente.
Nas janelas, das idas e vindas, doutrinas flutuam.

O sabor do riso, nem sempre é a gargalhada apaixonada,
Por que esse passa, e outras vezes, perde-se na vaidade
Dos que imaginam ser o tempo, uma trilha desconectada.

Não tenho nada, além de um pensamento livre.
Ontem eu tinha o sol, e uma janela com emoções,
Hoje eu tenho a janela, o sol, e um pensamento livre.
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sábado, 7 de junho de 2014

Quão, somos Quão.

texto de: José Maria Souza Costa.

Máquinas voadoras, motos, seja lá, o que for, são armas no transito. Quer seja na mega metrópole, quer seja, na mais simples cidade do interior. E nestas, a febre, são as motocicletas. Possuí-las, induz-lhes, um sentimento de posse, de poder, e, de diferenciado. Tudo bobagem. Em algumas cidades interioranas, deste meu Brasil brasileiro, não roga-se, pela habilitação, como exige, o Código Nacional de Transito. E, nem pune-se,  o transgressor. Nestes confins do meu " deus", o que prevalece é a violação, do Direito. E o que percebe-se, são meninos e meninas, transformando as ruas, em pistas de disputas, sob  aplausos, e a glória da omissão, de quem, a Lei exige, o que, faça-se, Cumprir.  E assim, ele assassina o vizinho, e nós, apenas lamentamos.  Busca, os nossos amigos, e nós, de plantão, culpamos o destino. E de repente, esse mesmo transito, busca, um dos nossos entes querido, aí choramos e nos mal dizemos, por que a sorte não beijou a nossa responsabilidade, e esquecemos, que nas paralelas das tragédias, expõe-se o espelho da desgraça, que teimamos, em não querermos enxergarmos.
Quantos conhecidos, amigo escolar, de formação juvenil, você conhece, que o transito assassinou, com: 15, 17, 21 ou 22 anos de idade ?
Creio, que não basta, creditar somente a triste estatística, ao trânsito. Mas, nos educarmos, para com o trânsito. Por que, trânsito, também significa a circulação de pessoas, e não tão somente, de carros, motos, e afim. Entendo, que deveria ser matéria curricular, nas escolas, como comportar-se, no ou, em trânsito.
Um corpo esparramado na pista, o olhar solitário, e a lágrima, borrando o rosto, por que ela estará sempre, à procura de lamentos. A morte.
Ceifa-se, a vida juvenil, no trânsito, por que, em uma esquina qualquer do tempo, a lição vaza pelas janelas do, " isso não vai acontecer comigo", portanto, acelera-se, mais e mais, ainda que encharcado de álcool, drogas, entorpecentes diversos, e pedrinhas de bolinar.

domingo, 1 de junho de 2014

Infinito.

texto de :  José Maria Souza Costa.



O que é a vida, senão, um perspectivar, no amanhã
E um ensaiar constante, à refugar-se dos dilemas ?.
Fingir, que as notas órfãs, serão inúteis rimas vã
Que pousa, por vias de incertezas, sem emblemas.

O que é a vida, senão o mapear de sonhos, sem tutela
Da saudade, escorados nas recordações da infância ?
Quase sempre, aromatizadas, e em cores cravo canela
Escrutinada nas praias, com sol e mar, e em relevância.

O que é a vida, além do olhar derramado na janela do tempo
Em impetração de fé e  meditações, dobrando os joelhos teus
Em rogo de paz, de luz, e seguimento cancionado entretempo
Para encontrar-se, consigo, edificando o pensamento a Deus?

O enlevo do olhar, o riso, a dança, as simpatias endossados,
Tudo dulcifica a vida, a escrita, a arte, a facilidade de refletir.
Na  Vida, são os passos marcados dos nossos antepassados
Que nos convidam, a seguir em frente, há tempo de discernir.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Castração Química.

Texto de: José Maria Souza Costa.



Verborragias, às margens das alamedas do urbanismo, quase sempre, uma solução, contra o crime, de violência sexual infanto juvenil. No mundo. E cá, no Brasil, vez e outra, a temática vem à baila. E bailante, serpenteia, dependente da onda ou corrente política, que entenda, obter louros, mesmo com argumentações excêntricas. Nas ultimas semanas, a expressão do modismo é a " Castração Química ", de pedófilos, e outros, que têm por passatempo, xumbregar, os infantes.
Pergunta-se: Mas, para qual seguimento social, está sendo dirigido a temática ?
À  ralé ? Ou só, para a ralé ?  Ou para todos, independente, do "cêpê-éfi" ?
Qualquer pessoa, no Brasil, sabe, da promiscuidade, dos abusos sexuais, contra menores, nas salas vips, das  modernas e ricas instituições, onde saracoteia, das cafetinas, à desfaçatez, do poder publico.
Pergunta-se, outra vez: E os prefeitos, que alugam meninas, "di-menores", também submeter-se-ão, à  Castração Química ? E os filhos dos: juízes, promotores estaduais, federais, desembargadores, políticos e afim, também submeter-se-ão, à Castração Química ? Não esqueça nunca, a vítima, quase sempre, é, e só é,  oriunda da patuleia. E a grita na TV, é válida. Mas, na maioria das vezes, não vai além dos quinze minutos, de exposição. Castração Química ? Sim. Mas, a malha da sinceridade precisa abranger à todos, inclusive os congressistas, que emoldurados em seus castelos de zombeteiros, chegam apenas, e tão somente, à janela do riso.

sábado, 24 de maio de 2014

Transversais Dos Ranchos.

Texto de: José Maria Souza Costa.



É um longadouro, um viaduto, as curvas sombria de uma bela rua,
É o olhar perdido em sonho co' a moradia, é a morte, sorte chinfrim.
É a promessa do lar, desvirginado na lágrima, não mais virgem nua,
É a via sem luzes, de curvas sombrias, que servem de leito pra mim.

É o tempo, às vezes como um vento passante, que nos obriga a brandir.
É o corpo, em vestes rasgadas, maltrapilho e suado, induzindo a mentir
É a alma cansada, metralhada pelo olhar, petrificado, informado, a fingir
É luta diária, do homem de rua, que pede, que mente, que tosse, a pedir.

Aonde estão, os azulejos dos sonhos, que puseram, na minha alma sonhada ?
Por que não pintaram em paisagens, os campos floridos, da  minha morada?
Para quê, devolver-me, as sinfonias da infância, regidas co'a batuta do tempo,
Onde só encontra-se, os estribilhos das canções do vento, como passatempo ?

Todos os reis: de paus, de ouro, de espada, lançam-se à partir da força bruta.
Regalos castelos, e degustam rainhas, em birras de sangue esporrento, e fim.
A minha casa é um sol, em buracos de céus adormecidos, ao  sabor da cicuta,
Acende-se as velas, e roga-se no botequim, o leito do viaduto é o meu camarim.










quarta-feira, 21 de maio de 2014

Medo

Texto de: José Maria Souza Costa.

O medo, são varizes de alienamentos, expostos em fracassos,
Que relutam não seguir adiante, e fogem muito antes d' apesar.
Com métricas quebradas, que desvirginando rimas e compassos,
Fogem rodopiando névoas de ensejo, à contemplar o agrimensar.


O medo, é uma lâmina feral na alma, afligir, sem saber aonde ir.
Ansiedades em desvios, que não luta, em transversais de busca.
São duas linhas, entre o esconderijo e o fingir, que estar por vir
Na luta brusca, como se fosse uma brussa,à enfeitar o que busca.


O medo, é a tradução do pávulo, em paralelas cercanias do que sonhas.
É o tempo perdido estacionado na memória das trilhas novas sem voltas.
É um enigma humano a desflora-se em tempo desejado sem reviravoltas.


O medo, é uma linha tênue, entre o olhar e o bisbilhotar, da consemelhança.
O medo,  quase sempre é, um sentimento de fuga, em retículos esconderijos
Ou um rapapé, enrolando coragem em gritas, sem abordagem de esperança.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Cravos, Que Silenciam.


Texto de: José Maria Souza Costa.



E eles avançam à passos largos, pés descalços, frieza apátridas
E quebram vidraças, rabiscam autos, impendente em seus faróis.
Sorvem colas, exalam cocas, fingindo esmolas em mãos rápidas
E tecem os arpões escorregadios, dissimulados entre os lençóis.

Sexo, amor com o mesmo igual, e a vida resfolegante como o rio.
Dedos ágeis, em descompassado com o substantivo adversidade,
Tendo como recompensa, o corpo estendido, beijado pelo aço frio
E prazeres abraçado às gargalhadas prazerosas da promiscuidade.

Meninos de becos, de sanjas, nascentes do parto da impunidade.
Passistas das ruas, lágrimas de um sol, escondido entre as falas
Que rabiscam cobiças de tantos, e te saúdam com amargas balas.

Estilhas de virgens, postados em trilhas-mora, de solidão ou consorte.
No campo santo, o menino estendido à espera do coração de luto forte,
Para colher gemidos venturos de passaportes, paridos na vala da morte.
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sexta-feira, 9 de maio de 2014

O Ventre.

Texto de: José Maria Souza Costa.


Minha mãe, vida dos meus sentimentos, no refletir dos meus dias.
Égide do meu olhar aconchegado, sentinela das eternas guaridas
Para os meus passos derramados na direção da minha estrela guia.
Aqui, esparramadas bandeiras desamparadas, náufragas em feridas.

Minha mãe, constelação maior do meu céu, mitigando prantos e divação.
Acorda-te,  e vem embalar-me nos teus braços, eu creio na ressurreição.
Suspiros, abraços nós, orações, nada sacia o espaço vago nos corações
Dos meus irmãos, por que, o tempo é uma pária, rogado em contradições.

Minha mãe, perfume das minhas cores, aqui tempo doloroso, quase sem fim,
Sem escutar tua voz, vê a tua dança, e cantarolar canções de amor pra mim.
Hoje, o lazer é caminhar pela Rua da Saudade, em busca de noticias vossas.
A lágrima exsudada não volta mais, qual  o conforto para as almas nossas ?

Conselheira assertiva, lençóis dos meus contentamentos, eu te contemplo
Sempre e eternamente estarás, alinhada com as linhas, deste meu futuro.
A feita que faz a hora, redesenha os meus sentidos, a vida é sempre templo
De memorandos, à expor para a minha alma, o condão do teu coração puro.


sábado, 3 de maio de 2014

Perfumes de Maio.

Texto de: José Maria Souza Costa.




Eu te amo tanto, amor da minha vida, fonte da minha empolgação
Espaço dos meus desejos, e contemplação do meu pensamento.
O deleite começa agora, e o que resta, é deslizar em pró de mão
Em busca da amabilidade, com a flexibilidade do meu sentimento.

Eu te amo tanto, e os meus braços, abrem-se, em rota de reconciliação.
As mágoas, jamais serão, caminhos perenes, por que mata em silêncio,
E ressuscita tristeza, defloradora da noite, e assassina da emancipação.
Na dança, meus passos se embriagam com os teus, sob olhar clemencio

Amor da minha vida, e templo do meu prazer  em mares de cios e zelos.
Os sonhos meus, são todos meus, em roteiros que fogem em tua direção,
Esparramados, ainda que por chão  quimera, navegarão por mil desejos.

Um abraço, o cheiro e mais um outro abraço, é o que resta-nos, enquanto
Eu te arco abraçado, exploro o teu meato em busca da progressão férmio.
O espasmo do coito, derram'entre o ventre, e o manuche d' um tempo fertil.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Vórtices.

Autor:  Adenildo Bezerra.



Tudo gira ao meu redor, em vórtices incessantes.
Movimentos constantes,
que me levam de um lugar a outro
pela força do meu pensamento.
Tudo são fenômenos inexplicados,
enigmas, que desafiam-me a todo instante.
O desafio é a força motriz da minha vivência.
O fracasso leva-me à experiência,
é o catalisador do meu sucesso.
As voltas do meu mundo,
são caminhos longos e árduos,
que transformam-me em um ser indelével,
guiado pela razão!


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Adenildo Bezerra, é autor do site:

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cartas de Amor II.

de: José Maria Souza Costa.



Amor de corações, beijos, alegrias em desalinhos de paixões,
Sonhos de eternidades, que entrelaçam com vozes de aliança,
O cancionismo harmonizados em trajes arranjados de emoções,
No vai e vem d'um bater coxas, com as sutilezas da esperança.

As minhas cartas de amor, para vós, são espirais de contentamentos,
Esparramadas sobre as sombras do teu olhar que valsante faz vazar
As linhas dos medos, e agrega sentidos de ansiedade quase lentos,
Com  misturas de temas entre frases contempladas em alinhamentos.

As cartas de amor, as minhas cartas de amor, são quase vozes mudas
Plagiadas, que arremesso-te elevadas a céus, em correios de coribante.
Para que nelas, sejam desenhadas todas as letras escritas e desnudas
Arrumadas nos arranjos dos velhos textos de amor, em ritmo alucinante.
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segunda-feira, 21 de abril de 2014

A Cidade da Rua da Beira.

de: José Maria Souza Costa.


Por entre becos e vielas, contempla-se um sol diferente
Que segue, entre os passos apressados de incertezas,
Na direção dos sonhos amontoados, e com tanta gente
Surfando risos e tenra amizade, em rios de correntezas.

Cochichos ao pé do ouvido, à sombra da amendoeira,
Portal de entrada na cidade, e vigilante à noite inteira.
Guarda segredo de meninas em cios e namoradeiras,
E abre-se em braços, ante um Mearim de correnteza.

Na Cidade da Rua da Beira tem: as cores do eterno sonho,
A esperança do amanhã feliz, os acordes do que compõe
A lira da canção dos tempos, com os arranjos dos colibris.

Na Cidade da Rua da Beira tem: os barrancos da beira do rio,
Os mananciais, os becos estreitos, sem os ladrilhos derradeiros.
Tem o amor maior deste poeta, fotografado expõe aos forasteiros.

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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Círculo Cromático.

Texto de: Cleilson Fernandes

Com a leveza de rosas brancas e castas
e a liberdade de fartas e coloridas borboletas
esperançoso, distraio-me, decoro e perfumo
os meus poucos e longos dias tristes.
Com a lua, pura e prateada, de encanto,
e o céu salpicado de estrelas claras e belas,
entretenho-me, ainda que a tudo supondo,
quando a luz não invade a noite escura.
Resisto, imaginando cores e buscando calor
até que, de novo, nasça o sol e surja o arco-íris.

Sigo em frente, para fora de mim, transbordo-me
sem que o universo pague por meus infortúnios
nem esqueça eu a beleza e a essência do existir,
que alcançam muito além de minhas desventuras,
dos sentimentos pobres e das contingências más
que circundam minha alma de aprendiz errante
e ofuscam as manhãs e tardes quentes de abril,
com ares das rompantes e breves chuvas de maio
e promessas de um mágico e contente junho bom
em que, como as rosas e as borboletas, eu viva

E deixando tudo o que se constitui escuro e frio,
caloroso, eu passeie por um círculo de cores.
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terça-feira, 15 de abril de 2014

Inesperado.

Texto de: Cleilson Fernandes.



Angelical e tentador, aparece como do nada, 
em meio a algo banal do ritual cotidiano 
e chama sorrateiramente minha atenção, 
fazendo pose a multiplicar seus apanágios. 
Com um sorriso de derreter o polo norte, 
mexe vorazmente com minhas doces ideias 
e sai com ar de quem deixou um pouco se si, 
naquele profético e inebriante instante. 
Rouba minha quietude e altera minha rota, 
ao assumir o intento de mover céus e terra 
para garimpar sua vida e desvendar-lhe; 
Persistente, não sai da minha memória, 
fertiliza minhas fantasias mais irreprimíveis, 
tenta-me a supor seu futuro a meu favor, 
cravando-se solidamente em meu pensamento 
e penetrando vorazmente meus sonhos bons. 
De repente, torna meu existir uma obra surreal, 
abundante, fortalece as cores do meu arco-íris, 
iluminando-me, salpica de estrelas o meu céu. 
Resoluto e não mais como até pouco antes, 
sigo em frente e lanço-me à ventura do porvir.
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Nota:
A Foto, é do autor do poema.
Cleilson Fernandes : Intelectual Maranhense ( Arari ). Membro Fundador da Academia de Letras Artes e Ciências da Cidade de Arari. Educador. Poeta. Escritor.