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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Alma Caliente.

    Texto de: José María Souza Costa
    
 

Abres  a porta,
E entre.
Apague a luz.
Lençóis revolvidos,
Fronhas soltas, amarfanhadas,
Janelas cerradas e, corpos açodados.
Pernas que se agitam, lábios que murmuram,
Braços atilhados entre gemidos.
E coxas retumbando misturas, entrelaçadas
Por corpos delirados a meio de,  tesuras.

O meu olhar, vazou no teu
Enamorando-se, da janela.
E deixou-se derramar. Seu
Sonho místico à Cinderela.


sábado, 22 de setembro de 2012

Bailando Comigo

Texto de:  José María Souza Costa



Você põe-se a caminhar, por entre os becos da vida.
Desliza os passos por entre anelos que insinua ter, e, muitas vezes, nem organiza o pensamento, imaginando que tudo está a seus pés.

Às vezes, por trilhas saxosas, os dedos choram e não percebemos; muitas outras tantas vezes, as coisas, os faróis em vigilância, dão-nos uma tradução plena, que nem precisa ser de vós.


Qualquer que seja o suspiro da Alma, não  faz-se deixar perder-se nas parolas das esquinas, ou vazar entre paronomásia, onde quer enfeitar-se com quimeras e derramar-se em paropsia.
A saudade que nos abate – ou pela perda ou pela distância – embaralha-me todo, e nunca busquei sua datiloscopia nas páginas da língua mãe.


E dessa forma, conduzimos cada um de nós, as nossas dores, marcas, manias, tantas vezes dardejando um tempo que não retorna jamais.  E em seus daroeses de causar piedade, abraça-se a qualquer ervaçal, na  procura de uma chama à erronia.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Veleja ( ando )



de: José Maria Souza Costa
 
   
 
Vem desviar  do vento entre ondas, osculando o mar
E, pulsar pujante, as cordas aneladas, do teu velejar.
Tremelizar os olhares, sem os trejeitos das direções
E, reluzir na alma, sem os quimbembe das orações.

Vem iluminar o meu mar. E com a tua iluminura

Rabiscar o mundo e,- presenciando a minha cura.
Arrastar-se rumo ao cais, sem os olhos dissimular
E janelar o ego navegante, de um eterno banzear.

Quero deslizar por águas fartas, a fartar o meu momento,
Emergir por entre mares, e contemplar o contentamento,
E fazer por entre águas, marcas de um velejeiro
Bojante sobrenadante, no perfil de um timoneiro.


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Horas Iguais


Texto de:  Lucas Montenegro

 
           
  

 

- Pai, o que significa quando a gente olha as horas e elas são iguais?

 

    Henrique levantou os olhos do papel que tomava toda sua concentração - e ele preferia que continuasse assim - para olhar aquele serzinho de olhos verdes e inquisidores, cheios de toda exigência por respostas que as crianças de oito anos têm. Deu um suspiro que não disfarçava seu desagrado por ter sido interrompido e coçou a barba por fazer antes de responder.

 

 - Como assim as horas são iguais, filha?- Ah pai, você sabe! Quando a gente olha e os dois números são iguais, dos minutos e das horas!

        - Ah, isso... Já pesquisou na internet?

 

    - Não quero pesquisar, hoje já fiz o tabalho de português e tinha muuuita coisa pra ler. Não quero mais ler hoje. Responde, vai! - ela disse. Saiu da frente da mesa e foi para o lado do pai que estava sentado na cadeira. Esse era o sinal de que Henrique não ia se ver livre antes de uma resposta convincente. Em momentos assim ele sentia a falta de uma mulher para dividir com ele a extenuante tarefa de criar uma garotinha linda, meiga, ávida por sorvete de flocos, louca por pôneis e com uma cruel inclinação para carência de atenção tarde da noite. E, por algum motivo, era pior quando ele trazia trabalho para casa. 

 

     Henrique voltou sua atenção rapidamente para a folha na mesa, no intuito de depois lembrar-se onde havia parado quando recomeçasse, no caso da conversa se estender além dos 45 segundos que ele julgava ideais e suficientes, e só isso já foi o bastante para um "heeeim" agudo vindo de Sophia.

 

    - Tá, tá, calma. Bom, horas iguais... Hmm... Eu na verdade não me lembro se significa que alguém está pensando em você nesse momento, ou se você pode fazer um pedido. Acho que...

    - Ah, deve ser porque alguém tá pensando na gente, faz sentido! - ela interrompeu. - Esse do pedido é quando a gente vê estela cadente!

    Ele riu, uma risada dessas que a gente quase não mostra os dentes e dá uma expelida forte de ar pelo nariz. Ela olhou e perguntou:

    - Que foi?

    - Essa sua linguinha presa me diverte. Deixa você ainda mais bonitinha. - ele disse. Ela fez uma carinha emburrada, que Henrique achou que a deixava ainda mais bonitinha. - Mas me fala, minha zangadinha. Por que veio me perguntar isso? Viu as horas iguais?

 

    - Aham! - ela disse, satisfeita. - Agora há pouco.

    - Hum, e porquê você disse que faz sentido?

    - Porque quando eu vi, eu tava pensando na mamãe, então a mamãe também devia tá pensando em mim! - ela exclamou.

    Ele riu, mais sonoramente dessa vez. - Entendi. Sua mãe deve ter olhado a hora lá na casa dela também. Mas não sei se isso significa muita coisa, porque do jeito que ela gosta de você, aposto que ela tá sempre pensando em você. E amanhã você vai ficar o dia com ela, devem ter combinado de sair e gastar o dinheiro do papai todo, não é? 

   - É! - ela disse, e os dois riram.

   - Tá bom então, mas vamos fazer o seguinte? Se vocês vão gastar meu dinheiro todo, eu tenho que trabalhar muito pra conseguir mais, e eu tô com um montão de trabalho aqui. Eu vou te deixar na casa da sua mãe amanhã cedo e já não é hora de criança ficar acordada.

    - Aaah, pai! Mas que horas são agora? - ele olhou as horas no relógio de pulso. O ponteiro maior marcava entre o quatro e o cinco, e habituado a arredondar as horas como a maioria das pessoas faz, ele já ia dizer que eram onze e vinte e cinco, mas quando olhou no mostrador digital que também havia no relógio, viu que coincidentemente eram onze e vinte e três. 23:23. Ele então virou o relógio pra Sophia, rindo.

    - Aqui, ó. - ela olhou e ficou exultante, deu até uns três pulinhos.

    - Viu só! De novo!

    - É, quem será que tá pensando em mim? Será que é sua mãe também?

    Sophia riu. 

    - Ah, paiê. Eu sei que você ainda gosta dela, mas devia ser só eu, pensando em como você é um chato por me mandar pra cama agora. Mas acho até que eu vou, porque tô com um pouco de sono.

 

    Ela chegou mais perto e puxou Henrique pelo ombro, ao que ele abaixou um pouco a cabeça pra ganhar um beijo de boa noite e dar outro em troca. Logo depois sumiu pela porta, mas seus saltitos com os pés descalços no piso de madeira ainda eram audíveis pelo corredor, até que entrou em seu quarto, que tinha carpete. Henrique ficou um tempo olhando pro nada com um sorriso torto e abobalhado, depois sacudiu a cabeça e tentou voltar aos seus papéis. Uns cinco minutos depois riu sozinho.

 

    - Pestinha esperta. - murmurou. Então se levantou e foi pegar uma xícara de café.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

A Dependência, Do Brazil

   
de: José Maria Souza Costa

 
Está lá, na História. Em um dia, 07 de Setembro, um português, Proclamou a Independência do Brasil. Está escrito. Pergunta-se, independência de quê ? Senão vejamos: Nesta Pátria Mãe gentil, um professor, recebe menos, que o salário minimo da sua categoria, mesmo, isso estando escrito na Constituição Federal, e se esse individuo, ousar a reclamar, será abarroado pelos cacetetes e coturnos da Policia Militar, principalmente, se o protesto for na Cidade de São Paulo, e mais ainda, na Avenida Paulista. Ao aluno, não interessa saber ler ou escrever, basta fantasiar-se de estudante e sair por ai, que será agraciado com a fantasiosa, aprovação continuada. Ora pois pois, cá entre nós, um sociólogo estuprou a Carta Magna Federal, e patrocinou a sua reeleição. Eu, que ante a minha ingenuidade,  apaixonei-me pelo quadro da Primeira Missa, celebrada em Porto Seguro- Bahia, quando da chegada de Cabral, agora dizem que é plágio, de um outro quadro italiano. Prostituíram a minha memória e agora descubro, que não somos mais virgem, desde o nascimento. Fomos abusados, ainda no nascedouro. O cavalo do quadro do Pedro Américo, no qual monta o Imperador, historiadores dizem  ser uma baia pintada, que no rodapé da tradução, é uma jumenta com grife. E assim, estamos a fazer festa, o riacho do Ipiranga, a muito deixou de ser um riacho para transformar-se, em um esgoto a céu aberto, no bairro da Zona Sul da Cidade de São Paulo, que leva o mesmo nome. De saracoteio em sarucuteios, Dom Pedro I, foi chafurdar na Cidade de Santos, litoral paulista, com a  amante e visitar os Andradas. Comeu muita carne de porco, as toras e mau passadas, como escrevem alguns historiadores. Com cólicas, dores de barriga, tomando chá de folha de goiaba, e muita diarréia, o Português, nesta situação fisiológica desconfortável, encarou  a subida da serra do Mar. Em sua jumenta com grife, que Pedro Américo, diz ser um cavalo, e outros berram que o quadro é uma falsificação de um outro quadro " A batalha do Avaí ",  Dom Pedro I, estava outra vez no matinho, quando um dos seus guardas, entrega-lhe cartas vindas do Rio de Janeiro, a qual   narrava que os lusitanos, lhe rebaixava as condições de um delegado das Cortes Portuguesas, um office boy, com grife, ora pois pois. Para uns, ele berrou Independência ou Morte, para outros, a morte esta ante nós, por que temos esperança em uma independência plena e irrestrita.
Uma Independência, aonde seja sanado o deficit habitacional. Uma independência, aonde não seja necessário falarmos em cotas, de quaisquer especie. Uma Independência, aonde não mais teremos a violência contra os Direitos Humanos.
Precisamos sermos independentes, para não servirmos de massa de manobra, e muito menos os paladinos da degradação social. Se o Sol brilhar no céu da Pátria, muito certamente,  ressoará entre nós, não só a Esperança de um Brasil gigante. Mas sobretudo uno e justo.