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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A CANÇÃO EM MAR ABERTO



PRIMEIRA PARTE.
Texto retirado do livro: A Canção em Mar Aberto
de: José Maria Souza Costa

 ... eu caminho vagamente entre automóveis, que aceleram agitados pelas vias carbonizantes com aromas de gases, que embriagam a alma e delira sonhando para que a noite apareça, e destilar o seu encanto ou envenenar o seu rebolado".
Esta cidade de São Paulo que carrega permanentemente o espírito da divisão  emocional, e a cada instante faz o ser humano tornar-se mais distante, mais ausente, menos afável, mais egoísta, mais maldoso, mesmo que revista-se de pluralista, ou apareça ao espelho, como fosse um libertário dos desejos sonhados.
Eu continuo caminhando lado a lado com o bom senso, com o espírito fraterno, defendendo as minorias, com o sonho de uma ampla reforma de pensamento, para que as pessoas possam sair dos seus armários, dos seus guarda-roupas e sem medo, sem ranço na alma, sem tempo de olhar para trás, como se desesperadamente observasse a vida por um estranho retrovisor.
A vida precisa de luz, e toda vida requer luminosidade própria, para seguir adiante, às vezes nem importa o rumo ou a direção a seguir, mas sim o facho que explode como se fosse uma enorme cachoeira.
Eu  caminho a quilometros de distância em busca do meu sol, para aquecer os meus sonhos ou parir os meus deslumbro e, faço desaguar pelas lágrimas, as corridas vacilantes que eu dei, quando ainda muito jovem imaginava que em vida tudo podia, tudo sabia e o tempo fez-me reciclar a velha alma e deixá-la, mais sensata, mais humilde, mais humana, ainda que calejada pelas pegadas de aventura, mas com risos muito tenros e sorrisos mais afáveis.
Em um dia todos fomos meninos e num outro quase velhos amadurecidos, esquecidos pelas obras que não produzimos.
A vida é assim: para uns um caminhar sem rumo e sem sonhos e, para outros uma clarevidência que mescla-se com a doçura dos pensamentos positivos e deslumbra-nos como tal o riso do recenascido.
O que fazer, para interrogar a vida ?
Buscar a distância. através do olhar ?
Distanciar as interrogações ?
Interrogar o nada e rever o além ?
Ou nem sequer observar as alternativas acima e chegar em casa, colar a bunda na banqueta, sacar o terno e trocar pelo agasalho e, caminhar pelas longas avenidas das metrópoles, como se a vida resumisse em um leva e trás de patrícinhas e maurícinhos, embriagados na doce ilusão que a vida é uma rosa.
Cada um, delineia o seu caminho e junto dele traça o seu destino e desliza como barco em direção a mares revoltos, chorando a procura para ancorar num velho cais.
A vida é sempre assim, com nuances que nos surpreende, e nos faz despertar constantemente  para um novo dia.
Quando ainda jovens sonhamos em sermos a estrela na terra, desfilarmos com as melhores mulheres, com os melhores "muleques", com os melhores risos, mas jamais imaginamos que estes traços estão mais velhos quando chegar o amanhã.
Tudo encanta e desencanta a um só tempo.
E qual será a enorme descoberta ?
- O amor pela vida, afirmo.
Eu calo, eu não falo.
Eu danço bolero em dois compassos.
Eu navego em todos os mares.
Deslizo por todos os bares, lares...enfim, eu insisto que os lares aglomerem-se, como se fosse uma casa de encontros sonhados pelo enamorados dos serenos cobertos por sonhos espertos, navegando sorridente sob a canção de um mar aberto pelos ventos agitados de uma grande descoberta.