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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O silêncio e o ABOIADOR ( homenagem à - Silvino Gomes )




Atentai bem...
Calou-se o Aboiador.
Silênciou-se o aboio.
Agora, já não se houve mais o rufar dos tambores, nem a pancada seca no bumbo, nem o trilintar das matracas O som do apito não ecoa mais, e a alma politica, cantante, elegante e debochada, está silenciosa e retirante. Simplesmente, por que quer sentir, na ociosidade da madrugada, a chama que sussurra  pela ânsia de caminhar ao encontro de um mundo misterioso, desconhecido, não comentado e inevitável.
Queria eu, poder costurar com a agulha do perdão, todo o meu sentimento de carinho, de amizade, de aconchego, de entretenimento e, enlaçar com a linha da boa vontade, todo o glamour do reconhecimento popular, para poder abraçar a sabedoria, e de mãos dadas deitar e sorrir e, se possível dá um rolê com o seu encanto e todo o meu contentamento, por em vida, ter vivido e convivido com esse Octogenário, que muito representou em Arari, com as suas "brincadeiras", como ele, assim denominava as suas artes.
Agora silencia-se,  a Casinha na Roça, por que amarraram com a imbira da saudade, as mençabas cortantes sentimental da insensatez, que a todos os humanos, a convidará a deitar-se e adormecer, para que possa refugiar-se, o corpo no Campo Santo, e a alma em um pedaço de Céu brilhante, como se fosse uma Estrela. Aí se desenha todos os sonhos vividos e recorda-se, os passos que não se viveu, e arrepende-se do bailado que  perdera.
O  boi do  "seo Silvino", não levantará mais poeira, como disse-me certa vez um amigo meu, por que doravante, ele reluzirá semelhante a uma cadente polar em alto Mar, orientando barcos, navios, cantores, cantadores e assobiadores que emanam da alegria e do contentamento. Todavia, fazemos partes desse carrocel chamado vida, que balança-se nessa corda, onde todos amarram as suas amizades, assegurada por essa magia por uns intitulada de relacionamento e por outros de conchavos.
Agora, para-se de vez o coração do Aboiador. As noites de Junho, nunca mais serão as mesmas. O Artista popular ou popolucho, que fora moldado pelo destino e lapidado pelo tempo, esse  desfila entre o saudoso e o imaginário. Os passos, o bailado, o verso e o versado, as rimas e as rimadas, o tanger de..." ê boi...ê boi"..., já não se ouve mais.
O apito deve está pendurado, em um lugar qualquer. A matraca silenciada, e as lágrimas da saudade, espalhada afogando olhares que se perde em um horizontes distante, que o tempo não trazem mais. O Campo Santo  é imenso, e se distancia na visão, por que o sonho sempre se propalará, ainda que envolto em quimeras.
As ciganas, as mulheres e meninas enfeitadas de índias, essas não bailarão mais, enfim o popular da Cultura Arariense, curva-se à melancolia, por que com a sofisticação das artes, a essência da alegria humana, sede vez ao "pirotecnismo".
O boi do "seu Silvino", não levantará mais poeira, ele não deixou herdeiro, era uno. Mas, reluzirá na alma, na mente, no íntimo de cada um, e passeará pela lembrança da coletividade, por que estará exposto no reluzir de uma nova estrela, que resplandecerá em céus de brigadeiro em noites estreladas versando: Amor e Cor.
Atenção aos ararienses: Silencia-se o aboio, por que calou-se o aboiador...,
escreveu...José Maria Costa.
 



      



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