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domingo, 8 de agosto de 2010

EX GOVERNADORES FAZEM CORRIDA PARA O SENADO

UOL
08/08/2010 - 07h00
Para manterem visibilidade, ex-governadores fazem "corrida" por vagas no Senado
Diego Salmen e Maurício Savarese
Do UOL Eleições
Em São Paulo

Os políticos brasileiros dizem que o Senado é melhor do que o céu, porque é necessário morrer para chegar ao Paraíso, enquanto a Casa Legislativa os recebe ainda vivos e por ao menos oito anos. Trinta e um ex-governadores acreditam nessa tese e, depois de ocuparem o cargo máximo do Poder Executivo estadual, buscam nestas eleições perpetuar suas carreiras no palco dos principais escândalos de 2009.

Em disputa, estarão 54 das 81 vagas no Senado – que renovará dois de cada três parlamentares de cada Estado. Exatamente por eleger representantes das unidades federativas e não do povo, como acontece na Câmara dos Deputados, os ex-governadores costumam sair em vantagem nessas disputas, de acordo com especialistas e políticos ouvidos pelo UOL Eleições.

O Nordeste é a região com mais ex-governadores na disputa. São 13: César Borges (PR-BA); Tasso Jereissati (PSDB-CE); Edison Lobão (PMDB-MA), Zé Reinaldo (PSB-MA), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Marco Maciel (DEM-PE), Mão Santa (PSC-PI), Wellington Dias (PT-PI), Wilma de Faria (PSB-RN), José Agripino Maia (DEM-RN) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), Albano Franco (PSDB-AL) e Antonio Carlos Valadres (PSB-SE).

Em seguida vem a região Norte, com nove candidatos enquadrados nesse perfil: Jorge Viana (PT-AC), Waldez Góes (PDT-AP), João Capiberibe (PSB-AP), Eduardo Braga (PMDB-AM), Jader Barbalho (PMDB-PA), Ivo Cassol (PP-RO), Valdir Raupp (PMDB-RO), Romero Jucá (PMDB-RR) e Marcelo Miranda (PMDB-TO).

Centro-Oeste, Sul e Sudeste contam com três ex-governadores candidatos ao Senado. Cristovam Buarque (PDT-DF), Maria de Lourdes Abadia (PSDB-DF), Blairo Maggi (PR-MT), Aécio Neves (PSDB-MG) e Itamar Franco (PPS-MG), Orestes Quércia (PMDB-SP), Roberto Requião (PMDB-PR), Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) e Germano Rigotto (PMDB-RS).

“A tendência do governador é buscar uma vaga no Senado porque é uma casa que cuida dos interesses do Estado”, disse ao UOL Eleições o senador César Borges (PR-BA), que tenta reeleição. “Todo governador tem dimensão além de um setor, de uma cidade, de uma região. E isso inibe deputados e prefeitos de participarem dessa disputa. Ali podemos representar o Estado e vencer eleição majoritária.”

Para o cientista político Ricardo Caldas, da UnB (Universidade de Brasília), o movimento é “natural” e ajuda os candidatos a se manterem vísiveis depois de chegarem ao "ápice" de suas trajetórias políticas – o que nestas eleições, em tese, não vale para ao menos dois ex-governadores que tentaram candidatura à Presidência: o mineiro Aécio Neves (PSDB) e o paranaense Roberto Requião (PMDB).

“Teoricamente, o senador está acima de pequenos interesses, ao contrário do deputado, que é sujeito a pressão de prefeitos”, disse ele. “Mas é claro que entre o governo e o Senado, é mais interessante o governo. Não que o poder seja maior: o orçamento é maior. O Senado é uma contingência política para os ex-governadores.”

Debate qualificado
Ex-governador e tido como um dos senadores mais respeitados por seus colegas, Pedro Simon (PMDB-RS) diz que esse movimento de migração de chefes do Executivo estadual foi mais forte no passado. “Hoje há muitos deputados que vão direto para o Senado, que já foi considerado um lugar de pessoas com passado. Era um lugar com pessoas mais serenas e experientes.”

O parlamentar gaúcho, cujo mandato termina 2015, notou uma mudança de perfil etário dos Senadores. “Antes para entrar ali você tinha de ter ao menos uns 40 anos. Hoje tem uma gurizada e, nesse sentido, ficou mais identificado com a Câmara. O Senado já não é mais uma casa tradicional, de debate mais profundo. O Senado era a Casa da elite política. Na Câmara, você é só mais um porque tem 500 outros.”

Para o cientista político Francisco Fonseca, da FGV (Fundação Getúlio Vargas) de São Paulo, a maior dificuldade para os ex-governadores é a falta de possibilidade de ação – algo que se repetirá na próxima magistratura, sem perspectiva de resolução. “Não é exatamente o mesmo patamar de status político, porque o Executivo tem muito mais poder que o Legislativo”, disse. “Ainda assim é um status semelhante.”

Ex-governador do Distrito Federal, o senador Cristovam Buarque (PDT) buscará a reeleição neste ano. Para ele, a experiência no Poder Executivo ajuda, mas não define a efetividade de um parlamentar da Casa. “Não divido o Senado entre aqueles que já governaram e os que não governaram. Divido entre progressistas e conservadores”, afirmou ele, um dos mais críticos de seus colegas experientes durante a crise de 2009.

“Temos ex-governadores mais avançados e menos avançados. Eles levam para o Senado o que foram no governo estadual. Se não teve compromisso lá, não vai ser em Brasília que ele vai criar”, afirmou. “Acho que o eleitorado deve ter aprendido alguma coisa com a crise que vivemos no ano passado: experiência não é tudo. Não dá para saber quem se elege e quem não se elege, mas lá para setembro acho que vamos saber se os políticos que já têm dimensão estadual vão conseguir se manter ou não.”

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