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domingo, 8 de agosto de 2010

BRUNO CONTRATA SANGUINETTI PARA DEFENDER A TURMA

* O médico-legista George Sanguinetti também fez um laudo paralelo do caso Isabella Nardoni

O médico-legista George Sanguinetti também fez um laudo paralelo do caso Isabella Nardoni

* Justiça de MG decreta prisão preventiva de Bruno e mais oito pelo sumiço de Eliza
* Polícia refaz rota dos suspeitos em busca do corpo de ex-amante do goleiro Bruno
* Veja quem são os envolvidos

Depois de uma negociação que durou quase duas semanas, a defesa do goleiro Bruno Souza contratou o médico-legista George Sanguinetti para a realização de uma perícia paralela sobre o sequestro e possível morte de Eliza Samudio, ex-amante do atleta.

Conhecido nacionalmente por contestar, em 1998, o laudo oficial da morte do ex-tesoureiro Paulo César Farias, Sanguinetti afirmou que vai para Belo Horizonte na próxima terça-feira (10). Ele pretende questionar, entre outras coisas, a sanidade mental do adolescente J., que seria a "única prova" de que Eliza estaria morta.

O advogado Zanone Júnior, defensor de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola – apontado como executor do homicídio–, confirmou a contratação do legista alagoano. Segundo ele, uma dos primeiros pedidos da defesa é a análise do material encontrado no veículo Land Rover do goleiro Bruno.

Segundo as investigações, o sangue encontrado no carro que teria levado Eliza do Rio de Janeiro até Minas Gerais, no início de junho, é da ex-amante. Além disso, foi detectada também a presença de sangue do adolescente J., primo de Bruno e acusado de ter sequestrado e agredido Eliza dentro do carro. Os dois teriam entrado em luta corporal, o que explicaria o sangue dele no veículo.

"Assim que eu pegar o processo e o parecer dos peritos da Polícia Civil [que trabalharam no caso] ele vem para Belo Horizonte. Acredito que isso deverá ocorrer na semana que vem", disse Júnior.

Sanidade mental contestada
George Sanguinetti afirmou que a acusação contra Bruno e Bola, tanto da polícia, quanto do Ministério Público de Minas Gerais, baseia-se no depoimento do adolescente J., que inclusive já foi desmentido pelo próprio menor.

“Eles não podem ser réus da acusação de assassinato, que é baseada em argumentos frágeis, sem provas. O menor que disse que ela foi morta já mudou de versão três vezes e apenas na primeira é que ele contou que houve assassinato”, afirmou o legista, que, apesar de contestar juridicamente a morte, disse que não acredita que Eliza esteja viva.

Por ter mudado versões dos depoimentos, Sanguinetti disse que vai pedir um exame de sanidade mental do jovem. “Vou solicitar o psicodiagnóstico de Rorschach, que é um teste de personalidade, da tendência da fantasia, da mitomania [tendência a mentir]”, antecipou.

O legista alagoano afirma que vai questionar também a afirmação de que o cabelo encontrado na casa onde Eliza teria sido mantida em cativeiro, no sítio do goleiro, é mesmo da ex-amante do atleta. “Eles encontraram na cama um pêlo e garantem que é de Eliza. Mas essa comprovação só pode ser feita com o bulbo piloso [estrutura do fio de cabelo]. Como não tinha, não servia para fazer o DNA. Quero saber, então, como eles afirmam que é dela”, questionou.

Sanguinetti disse ainda que a prisão temporária e a inclusão dos acusados como réus de suposto assassinato é "descabida". “O Código Penal é claro ao dizer que, quando a infração deixa vestígios, como uma lesão corporal ou uma morte, é essencial o exame de corpo de delito [laudo cadavérico], que não pode suprir sequer a confissão do acusado. A polícia se baseia em um corpo de delito indireto, que seria de uma ‘prova testemunhal’, a qual a fonte já voltou atrás. Estão se baseando em um clamor público”, acredita o legista.