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domingo, 18 de julho de 2010

A PREFERENCIA DOS ENVOLVIDOS EM ESCANDALOS

18/07/2010 - 07h00
Envolvidos em escândalos do Congresso preferem Dilma, mas também apoiam Serra
Maurício Savarese e Carlos Bencke
Do UOL Eleições
Em São PauloNas pesquisas, é acirrada a disputa entre a presidenciável petista Dilma Rousseff e seu rival tucano, José Serra. Mas a ex-ministra tem vantagem sobre o ex-governador entre os parlamentares envolvidos em escândalos, indica um levantamento do UOL Notícias. Isso, no entanto, não significa que o candidato do PSDB tenha sido abandonado por políticos citados em diversas denúncias de mau uso de verba pública.

Entre janeiro de 2009 e o fim de junho deste ano, 106 deputados e 35 senadores que hoje exercem seus mandatos foram citados nos escândalos de abuso da estrutura do Congresso, nepotismo, farra das passagens aéreas, atos secretos do Senado ou mensalão do Democratas. O levantamento tem base no Monitor de Escândalos do UOL, do colunista Fernando Rodrigues. Ao todo, há 513 deputados e 81 senadores no Congresso Nacional.

Dilma conta com o apoio de 62 desses deputados e 16 desses senadores – a maioria deles do PMDB, sigla que deu à petista seu candidato a vice-presidente, Michel Temer. Serra conta com o apoio de 17 senadores envolvidos em escândalos, mas na Câmara dos Deputados, de onde saiu seu vice, Indio da Costa (DEM-RJ), conta com o apoio de 30 deputados – menos que a metade dos que dão suporte a Dilma.

A terceira colocada nas pesquisas, Marina Silva (PV), terá o apoio de três deputados desse grupo citado em denúncias, todos eles do partido ao qual aderiu no fim do ano passado. O presidenciável do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, contará com o apoio de um deputado federal e de um senador, em situação similar à da ex-petista. Nenhum outro candidato foi citado pelos parlamentares da Câmara e do Senado.

Nove deputados e um senador que figuraram em denúncias recentes preferiram não expor seu apoio na eleição presidencial até o momento. Muitos deles são do PP, partido que liberou seus filiados para aderirem a tucanos ou petistas na eleição presidencial. A sigla tem 41 deputados ao todo, dez envolvidos e quatro que ainda não se pronunciaram sobre se defenderão a eleição de Dilma ou a de Serra.

Os dados indicam que 20% da Câmara e 43% do Senado estão comprometidos com denúncias desde o início do ano passado. Nenhum deles deixou o cargo por conta das revelações. Alguns afastaram assessores ou trocaram de partido, mas os interessados em concorrer estarão no páreo. Os nomes dos parlamentares e as justificativas que eles deram (ou não) para os casos em que foram implicados estão neste link.

Problema dos partidos
Para Claudio Weber Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil, os presidenciáveis poderiam dizer que só fechariam aliança partidária sob a condição de que os suspeitos de corrupção e mau uso de verbas públicas não pudessem concorrer. “Mas seria fantasia. Eles dirão que a escolha cabe aos partidos. E na verdade a culpa maior é dos partidos, que não são obrigados a aceitar ninguém, mas aceitam”, disse.

“Esses indivíduos deram demonstrações insistentes de que não poderiam ocupar cargos públicos. Essa é uma questão política que os partidos não querem atacar. Por isso temos tantos parlamentares envolvidos em denúncias em tão pouco tempo: os partidos não têm capacidade de intervir”, afirmou. O envolvimento dos parlamentares nesses casos não os impede de disputar mandatos eletivos em 2010.

Abramo afirmou que nenhum partido tomou medidas concretas para cobrar os parlamentares pelas denúncias. Alguns deputados e senadores tomaram medidas isoladas para ressarcir os cofres públicos. Outros nada fizeram sob a alegação de que não havia nenhum impedimento legal para que usassem os recursos da maneira que escolheram. "Na gestão pública só se faz o que é expresso em lei", diz o diretor da ONG.

Questão suprapartidária
O partido com mais acusados é o PMDB, aliado de Dilma: 27 deputados, entre eles o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), e nove senadores, incluindo o presidente do Senado, José Sarney (AP). Também figuram na lista os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Hélio Costa, que assumiram mandatos parlamentares ao deixarem o governo para se candidatarem a governador na Bahia e em Minas Gerais, respectivamente.

Os partidos dos presidenciáveis também estão próximos no número de envolvidos em casos de mau uso de verbas. O PT de Dilma tem dez deputados e quatro senadores nessa situação. A bancada do partido na Câmara é de 79 membros e no Senado, de nove parlamentares. O PSDB de Serra conta oito entre seus 59 deputados e sete entre seus 14 senadores na lista de acusados de confundir bens públicos com privados.

Logo depois dos peemedebistas e dos partidos dos candidatos, aparecem dois dos principais aliados dos líderes da corrida presidencial: o serrista DEM, com nove deputados e seis senadores, e o dilmista PR, com 11 deputados e um senador. Na Câmara, o DEM soma 56 membros e o PR, 40. No Senado, o partido da oposição tem tem 14 cadeiras e a legenda governista, quatro.

Somados apenas os integrantes da aliança em favor da candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - PT, PMDB, PSB, PDT e PCdoB, PR, PSC, PHS e PTC -, há 58 deputados envolvidos e 18 senadores. Em ambas as Casas, há rebeldes que preferem a candidatura de Serra.

Levando-se em conta exclusivamente os partidos da coalizão de tucana – PSDB, DEM, PPS, PTB e PMN e PT do B –, são 32 deputados citados em denúncias e 15 senadores que o apóiam. No campo de Serra, também há defecções em favor de Dilma.

Contabilizados todos os parlamentares de partidos que apoiam Dilma e desprezando os rebeldes, a petista tem o apoio de 253 deputados e de 43 senadores. Aplicando-se o mesmo aos partidos aliados de Serra, os números são de 156 deputados e 35 senadores. A senadora Marina Silva tem apoio oficial apenas de 14 deputados do PV na Câmara.

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