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sábado, 17 de julho de 2010

CASAMENTO GAY E O TURISMO NA ARGENTINA

Com lei de casamento, turismo gay ganha força na Argentina
NATALIA KIDD
DA EFE, EM BUENOS AIRES (ARGENTINA)

O otimismo ronda os negócios orientados ao turista gay na Argentina. Com a aprovação nesta semana do casamento gay no Senado argentino, pioneira na América Latina, o país espera um novo impulso no rentável nicho do turismo gay.

Dê sua opinião: O Brasil deve criar um projeto similar?
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Se a Argentina, e em particular Buenos Aires, já era referência para o turismo gay, agora os empresários do setor preveem um aumento da chegada de visitantes homossexuais, que são geralmente grandes consumidores.

"Espero um impacto muito positivo, porque todos os negócios que tenho são orientados ao mercado gay. Por isso, certamente muitos casais de estrangeiros virão à Argentina só para se casar", explica Germán Arballo, empresário de negócios orientados ao segmento do turismo, desde aluguel temporário de apartamentos até adegas.

Segundo Arballo, na Argentina --país que nos primeiros cinco meses do ano recebeu cerca de 1 milhão de estrangeiros que gastaram cerca de US$ 1 bilhão--, quase dois de cada dez turistas são homossexuais.

"Buenos Aires se tornou a cidade mais importante da América Latina para o turismo gay. Com a lei que permitia a união civil em Buenos Aires, a afluência de turismo gay já tinha aumentado 15% sobre o total de turistas. Agora, essa proporção é de quase 18%", precisou.

Brasileiros, americanos e europeus são maioria entre os viajantes homossexuais que elegem a Argentina, não só pelo ambiente gay friendly, mas pela conveniente taxa de câmbio.

"O turista gay gasta mais. Na Argentina, mais ainda, porque o peso está muito barato em relação ao dólar e ao euro", disse Arballo --R$ 1 gira em torno de dois pesos e US$ 1 pode ser trocado por cerca de quatro pesos.

Ele aproveitará a novidade da nova lei de casamento para pessoas do mesmo sexo para promover seus vinhos Pilot Gay Wines.

Em sua campanha publicitária, o empresário presenteará os amantes do mesmo sexo que se casarem na Argentina com vinhos e champanhe de sua marca.

FESTAS DE CASAMENTO

Darío Tamanini, um dos primeiros e poucos organizadores de casamentos orientados aos casais gays no país, já se prepara para um "boom" de trabalho. No mesmo dia da aprovação da lei que autoriza o casamento homossexual, recebeu dez chamadas de interessados em organizar seu casamento.

"Começamos no ano passado a organizar cerimônias de compromissos entre gays, que tinham muito medo de contratar serviços com empresas tradicionais de eventos", relatou Tamanini, que fundou com dois sócios sua empresa de organização de festas no centro de Córdoba, uma sociedade caracterizada pelo conservadorismo.

Agora que as uniões serão legais, Tamanini promete organizar bodas "únicas", sejam singelas, em casa, ou em fazendas, aonde o casal pode chegar em uma carruagem e afins.

Para a lua de mel, os casamentos homossexuais podem optar pelo destino clássico na Argentina: a sulina Bariloche, romântica, rodeada de montanhas e ar puro.

A primeira agência de turismo gay de Bariloche já começou a promover o pacote turístico "Honeymoon Patagônia", que promete opções para que os recém-casados "desfrutem ao máximo da vista panorâmica e de toda a região".

Por enquanto, não foi vendida nenhuma viagem de bodas, mas a agência Bariloche Gay Travel espera impulsionar as vendas a partir da nova norma.

"Já tivemos várias consultas de gente interessada e, agora que se legalizou o casamento homossexual, esperamos receber mais contatos com relação a esse pacote", aponta à agência de notícias Efe Cristian Signorelli, proprietário da agência que há um ano oferece serviços de turismo em Bariloche a visitantes gays do mundo todo.

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